Quarta, 19 de Junho de 2013
   
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Apresentado estudo sobre a mPyme iberoamericana



Um macro estudo sobre a mPyme iberoamericana revela que as empresas jovens 3 profissionalizadas enfrentam melhor a crise. 


AFAEDPYME analisou as debilidades e os pontos fortes de 1.970 empresas em 20 países.


 Madri, 13 de julho de 2010.

Malag_ing4 Um estudo realizado pela Fundação para a Análise Estratégica e Desenvolvimento da Pequena e Media Empresa (FAEDPYME) coloca de manifesto que as empresas iberoamericanas com um perfil mais jovem, competitivo e inovador são as que estão mais preparadas para enfrentar melhor a crise. Este relatório supõe uma exaustiva analise da situação da micro, pequena e media empresa (mPyme) em Iberoamérica, e oferece uma radiografia fiel das suas fortalezas e debilidades em torno às numerosas variáveis, como sua estrutura organizativa e de recursos humanos, sua capacidade tecnológica ou suas políticas de gestão financeira, de qualidade e inovação.
 
A cerimônia de apresentação do Informe contou com a presença do Secretário Geral Iberoamericano, Enrique Iglesias García; do Secretário de Estado de Inovação, Felipe Pétriz Calvo; do Reitor da Universidade de Cantabria e presidente da Conferência de Reitores das Universidades Espanholas (CRUE), Federico Gutiérrez-Solana; do Reitor da Universidade Politécnica de Cartagena, Félix Faura Mateu; do Conselheiro de Economia e Fazenda do Governo de Cantabria, Ángel Agudo San Emeterio; e do Conselheiro de Universidade, Empresa e Pesquisa do Governo de Murcia, Salvador Marín Hernández.

Os resultados do relatório foram apresentados por Domingo García Pérez de Lema, um de seus diretores e catedrático da Universidade Politécnica de Cartagena. Previamente, outro dos diretores, o catedrático da Universidade de Cantabria Francisco Javier Martínez, apresentou os objetivos e a trajetória da FAEDPYME, fundação responsável pela pesquisa. Segundo explicou o professor Martínez, a entidade conta com o respaldo das Universidades de Cantabria, Murcia e Politécnica de Cartagena, da Fundação UCEIF (fundação mista entre a Universidade de Cantabria e de Santander), da Fundação Cajamurcia, do Instituto de Fomento da Região de Murcia, e da Conselheria de Economia e Fazenda do Governo de Cantabria. Além disso, está apoiada pela Associação Universitária Iberoamericana de pós-graduação (AUIP). Seu objetivo fundamental é oferecer um espaço de colaboração, dentro dos âmbitos econômico e social da mPyme, para realizar atividades e trabalhos de estudo, docência e pesquisa; assim como facilitar e promover o intercâmbio de informação e conhecimento, o assessoramento e o desenvolvimento de projetos de interesse comum que contribuam para o bem-estar das pessoas.
 
Durante sua intervenção, o Secretário Geral Iberoamericano, Enrique Iglesias, ressaltou a importância deste estudo para os empresários iberoamericanos, e reafirmou a necessidade de que estas empresas estabeleçam retos para fortalecer o crescimento econômico. "Acreditamos que o crescimento econômico e a prosperidade vão juntos, mas não é uma condição suficiente e a região deve atender outro grande reto que é o de assegurar mais e melhor emprego e com maior produtividade e melhores salários".
 
Por sua parte, o secretário de Estado de Pesquisa, Felipe Pétriz, ressaltou a coincidência entre alguns dos aspectos destacados pelo estudo e os eixos de três instrumentos estatais de política de desenvolvimento, como são os projetos da Lei da Ciência, a Lei de Economia Sustentável e a Estratégia Estatal de Pesquisa. A cooperação, diversificação produtiva, formação, cultura inovadora, tecnologia e os novos mecanismos de financiamento, constituem alguns dos pontos coincidentes destacados pelo secretario de Estado.
 
O reitor da Universidade de Cantabria, Federico Gutiérrez-Solana, considerou este estudo como um exemplo da “importantíssima” colaboração entre universidade-empresa-sociedade, que permite a transferência de conhecimento a todo âmbito iberoamericano em benefício da melhoria produtiva. Neste sentido, o também presidente da CRUE recordou os esforços realizados pelo mundo universitário para criar o Espaço Iberoamericano de Conhecimento, no que participam mais de mil universidades.

O conselheiro de Economia e Fazenda do Governo de Cantabria, Ángel Agudo, destacou que esta pesquisa “é uma oportunidade para conhecer melhor o tecido e as características das empresas". “Ter analises e estudos que possam ajudar a fortalecer e tornar mais denso e competitivo nosso tecido empresarial, é muito importante, porque ajuda a tomar decisões mais eficientes", e "dão sentido e justificativa aos recursos públicos".
 
Por sua parte, o conselheiro de Universidade, Empresa e Pesquisa do Governo de Murcia, Salvador Marín, indicou que esta pesquisa manifesta a importância de três elementos: o conhecimento como motor de desenvolvimento empresarial, a cooperação entre empresas e regiões, e a consolidação da rede universidade-empresa e pesquisa.
 
Durante a apresentação dos resultados da pesquisa, o professor García Pérez de Lema explicou que esta desenha um perfil tipo de empresa, marcado por ter uma antigüidade média de 16 anos, caráter familiar (73,6%) e societário (70,2%), por ter a frente um diretivo de 47 anos com estudos universitários (69,2%), por ter realizado algum tipo de inovação (70,0%) e estar escassamente internacionalizada: só 26,5% exportaram ao longo de 2009 obtendo desta atividade 28% de seu faturamento.
 
O trabalho de campo foi realizado nos últimos meses de 2009, o que indica que os resultados recolhem o impacto da crise econômica, tanto no que diz respeito ao clima empresarial como às expectativas de negócio para 2010.
 
Com relação à primeira variável (clima empresarial), 38,5% das empresas consideram que se mantêm estável, contra 34,7% que aprecia uma piora e 26,8% que observa uma melhoria. As empresas com uma percepção mais favorável são as de maior tamanho, as mais antigas e as do setor de serviços.


Malag_ing1 Com relação às expectativas de emprego e negócio para 2010, 29,0% das empresas têm previsto reduzir o número de postos de trabalho, enquanto que 40,7% prevêem uma queda das vendas. A pesquisa revela que as microempresas vêm-se menos afetadas na queda do emprego que as pequenas e media. Assim, somente 21% das microempresas estimam uma redução de emprego. Sem embargo, são estas empresas que prevêem uma maior queda na evolução das vendas: 44,3% consideram que estas diminuíram, enquanto que esta porcentagem cai a 40,7% no caso das pequenas e a 36,1% para as media. Os dados mostram que as empresas mais antigas têm piores expectativas. Assim, 30,9% das empresas deste tipo estimam que o emprego fosse reduzir-se em 2009 e 44,8% opina que também cairiam as vendas. Sem embargo, somente 25,9% das empresas jovens prevê uma redução de postos de trabalho e 32,5% uma queda das vendas. 

Entre as debilidades mencionadas no relatório está a necessidade de apostar em processos de qualidade, como o ISO 9000, e a vinculação das empresas ao desenvolvimento tecnológico. O professor Domingo García, catedrático da Universidade Politécnica de Cartagena, explicou que "ainda que os países de Iberoamérica tenham uma alta cota por a inovação e estejam preparados para sair da crise através de algum tipo de mudança ou melhoria, somente 37% das mPymes acedem à tecnologia e consideram que é sustentável, o que não faz com que elas sejam colocadas no setor de mercado". Outra das problemáticas sobre as que García alertou foi o alto endividamento e as debilidades de financiamento. "É necessário criar uma cultura do financiamento, mas também impulsionar a inovação e para isso deve-se melhorar a preparação do capital humano com planos de capacitação".
 
O relatório oferece um padrão de comportamento entre aquelas empresas que têm uma posição competitiva vantajosa: são muito jovens, não são familiares, têm um gerente com estudos universitários e contam com um plano estratégico. Além disso, têm maiores porcentagens de acordos de cooperação com outras empresas (especialmente nas áreas de logística e de I+D), seguem uma estratégia exploradora, contam com áreas organizativas diferenciadas, têm uma política definida de recursos humanos, contam com uma posição tecnológica forte, obtiveram certificados de qualidade, promovem a inovação e fazem uso avançado das Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs). A pesquisa constatou que as empresas com uma melhor posição competitiva têm implantada a contabilidade de custos, utilizam orçamento de ingressos e gastos anuais, fazem uma maior análise da situação econômica e financeira, e para a tomada de decisões de inversão apóiam-se mais em utilidades retidas e em apurações de capital. 

O relatório mPyme Iberoamérica constitui o primeiro trabalho de pesquisa realizado pela Fundação. Sua elaboração foi dirigida pelos doutores Domingo García Pérez de Lema (Universidade Politécnica de Cartagena), Francisco Javier Martínez García (Universidade de Cantabria) e Antonio Aragón Sánchez (Universidade de Murcia), que coordenaram uma equipe de pesquisadores formada pelos também doutores Marcos Antón Renart, Antonio Calvo-Flores Segura, Juan Patricio Castro Valdivia, Antonio Duréndez Gómez-Guillamón, Ana Fernández Laviada, Antonia Madrid Guijarro, Javier Montoya del Corte, Alicia Rubio Bañon, Gregorio Sánchez Marín, Francisco Manuel Somohano Rodríguez. Sua edição contou com o patrocínio da filial de México de PriceWaterhouseCoopers.
 

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